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Crítica Semanal da Economia.

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EDIÇÃO 1093 – Ano 26; 4ª semana fevereiro 2012.

APERTE O CINTO... 

O capital não se importa com a opinião dos seus economistas. Nem com suas inócuas políticas econômicas. Passa por cima das turbulências do crédito, da impotência dos bancos centrais e alarga sem pedir licença a avenida de mais um período de reprodução ampliada global.

 JOSÉ MARTINS.

Enquanto a maioria dos economistas continua a afirmar que a crise de 2008/2009 não terminou – alguns ainda mais levianos chegam a afirmar que a economia permanecerá estagnada nos próximos dez anos! – o que se observa na vida real é uma lista interminável de fatos demonstrando a continuidade e intensificação da recuperação iniciada no 3º trimestre de 2009.
Vamos aos fatos. Começando pelos ramos industriais mais estratégicos para a dinâmica da economia. Na indústria aeronáutica, por exemplo. O capital está voando. Literalmente. Tanto nos EUA quanto na convulsionada Europa. A conhecida revista inglesa The Economist relata que tanto a norte-americana Boeing, quanto a europeia Air Bus, que monopolizam a produção mundial de aviões de grande porte, correm cada vez mais rápido para atender uma incalculável avalanche de encomendas de novos aviões. 1

FLYING TO THE MOON 2 A revista observa que são raros os negócios nos quais os clientes dos próximos seis anos estejam alinhados em uma fila tão bem-organizada – fazendo gordos adiantamentos e os completando com mais parcelas enquanto esperam na fila para ser atendidos. Essa é a folgada posição em que a Boeing se encontra. No dia 25 de janeiro ela anunciou um aumento de 21% no lucro líquido anual, para 4 bilhões de dólares.
A maior (e única) rival da Boeing, a Airbus, tem um acúmulo de pedidos ainda maior – de até oito anos com a capacidade de produção atual. Ano passado, com esforços para aumentar a produção e atender à demanda crescente, as duas gigantes fabricantes conseguiram entregar o número recorde de 1011 aparelhos.
Mas para cada avião que entregavam, elas recebiam mais duas encomendas novas – então a fila continuava crescendo. Em 25 de janeiro deste ano a Boeing recebeu da Europa sua maior encomenda até agora: a Norwegian Air Shuttle, da Noruega, vai comprar 122 mega-aparelhos no valor de 11,4 bilhões de dólares. Se os clientes da Boeing chegam da Europa, os clientes da Air Bus chegam das Américas. Ninguém é suficientemente miserável, como Colômbia e Equador, para não engrossar ainda mais aquela bem organizada fila de consumidores de aviões das duas monopolistas mundiais do setor – a companhia aérea AviancaTaca, junto com a sua subsidiária Aerogal do Equador, anunciou em 27/Janeiro/2012 a aquisição de 51 aparelhos Airbus A320. É a maior encomenda de aviões de um cliente na América Latina, informa o diário Público, de Lisboa. 3

CIRCULANDO – Essas gigantescas encomendas de aviões coincidem com a não menos acelerada expansão da produção mundial de aço. Este importante insumo da produção industrial representa ótimo indicador de evolução do ciclo econômico – há uma correlação marcadamente positiva entre ciclo econômico e produção de aço. Analisemos os dados do último relatório da Worldsteel Association 4 sobre a produção mundial de aço, em megatoneladas (Mts):

Ano     Mts
2006   1,249.0
2007   1,347.0
2008   1,341.2
2009   1,235.8
2010   1,429.9
2011    1,526.9

Estes números acompanham estreitamente a evolução do ciclo. Em 2009, auge da crise, a produção mundial desabou para 1,235.8 Mt. Em 2011, já tinha recuperado para 1526.9 Mt, ultrapassando em 13,4% a produção de 2007, correspondente ao auge do período de expansão do anterior (2002-2007).
A elevação recorde desta importante commoditie industrial indica que a fração constante do capital circulante (matérias primas e insumos industriais) já se encontra em nível superior ao pico do ciclo anterior. A reprodução é ampliada. Isso pode ser confirmado por outros importantes elementos da produção industrial e do comércio internacional. É o que procuraremos verificar em nosso próximo boletim. Até lá!


1 The Economist – Faster, faster, faster... the planemakers struggles to fulfil a rush of orders [Mais rápido, mais rápido, mais rápido... os fabricantes de aviões lutam para atender uma avalanche de encomendas] – 28/Janeiro/2012 http://www.economist.com/node/21543555
2 [Voando para a lua]
3 Público – AviancaTaca adquire 51 aviões Airbus A320 – 28.01.12 http://static.publico.pt/carga_transportes/Noticia/1531212
4 Worldsteel Association – World Crude Steel Production Summary – 23/Janeiro/2012 www.worldsteel.org

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