Abdias Nascimento

A obra artística de Abdias nasce de seu trabalho de curadoria no projeto do Museu de Arte Negra. Desafiado pelo amigo Efrain Tomás Bó, pinta suas primeiras telas em 1968. No dia da promulgação do AI-5, encontra-se em Nova York e é acolhido por uma amiga artista plástica norte-americana, Ann Bagley. Usando palitos de fósforo e restos de tinta que a amiga jogava fora, pinta seu primeiro quadro no exterior, o Riverside 1. Sente a pintura como uma forma eficaz de comunicação em terras estrangeiras. Desenvolve sua obra, num processo inteiramente autodidata, mergulhando no calor do processo criativo para fugir do frio nos invernos do norte.
De volta ao Brasil, continua pintando à medida que as atividades cívicas e políticas o permitem.
A pintura de Abdias Nascimento mergulha nas raízes culturais do mundo africano. Explora e interpreta diversas simbologias, desde a matriz primordial do Egito antigo, fonte da unidade essencial das civilizações africanas, passando pelo candomblé, o vodu do Haiti e os ideogramas adinkra da África ocidental. Essas referências se mesclam à evocação de heróis da luta de libertação dos povos africanos no continente e sua diáspora. O resultado é uma tessitura de temas e signos que brotam das cosmogonias e das passagens existenciais comuns aos povos afrodescendentes. Esses temas e signos realçam valores universais à experiência humana.

O fazer criativo de Abdias une a atuação cívica anti-racista com a valorização da cultura, identidade e herança africanas.
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