O Silêncio do Lago (1988)


Baseado em uma novela holandesa de mistério intitulada “O Ovo Dourado”, a produção de Sluizer oferece uma espiada angustiante dentro das mentes de dois homens diferentes entre si, mas ligados inexoravelmente por uma tragédia. É o típico caso de enredo que parece simples, mas é na verdade bastante sofisticado, e engana os desavisados. Pela sinopse, o espectador imagina que vai acompanhar a investigação empreendida por Rex, um escritor holandês (Gene Bervoets), na tentativa de desvendar o misterioso desaparecimento da namorada Saskia (Johanna ter Steege). A moça sumiu, como que por encanto, ao entrar numa loja de conveniência para comprar um refrigerante, durante uma viagem de carro entre Holanda e França.

Mas as aparências enganam. Aos poucos, e firmemente, o diretor Sluizer modifica o foco da história, buscando uma abordagem criativa e inusitada. Um thriller convencional adotaria uma narrativa no estilo “quem é o criminoso?”, opção que o cineasta descarta ainda no primeiro ato, ao apresentar ao público o seqüestrador, um pacato e sinistro professor de Química (Bernard-Pierre Donnadieu). Assim, ao invés de simplesmente acompanhar a investigação efetuada por Rex, Sluizer põe o espectador numa posição incômoda e incomum. De um lado, nós sabemos mais do que Rex, já que conhecemos a identidade do criminoso. De outro, sabemos menos do que Raymond, o raptor – não temos, como Rex, a menor idéia do que realmente ocorreu com Saskia.

Sluizer, aqui, sutilmente vai estabelecendo a estrutura narrativa do filme, por vezes indo e voltando no tempo sem que nada se torne confuso ou entediante. Seus enquadramentos e angulações conseguem ressaltar à perfeição o clima mórbido da história, com plongées fascinantes e movimentação de câmera à la Hitchcock, uma influência evidente do diretor, além dos diálogos ricos e precisos. 


Elenco:

Bernard-Pierre Donnadieu
Gene Bervoets
Johanna Ter Steege

Duração: 106 minutos
Direção: George Sluizer.
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