A ditadura militar no Brasil - 4 - Governo Castelo Branco



No quarto volume vemos a chegada de Castelo ao poder, um episodio surreal: censurar Sófocles, e expulsão nossos maiores crânios. Senhoras dando ouro para o “bem do Brasil” e o nascimento do verdadeiro ouro brasileiro O FEBEAPÁ.
  
Fonte: Extraído da “Coleções Caros Amigos – A ditadura militar no Brasil – A historia em cima dos fatos” fascículo 4.

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Introdução:
Por que os golpistas não admitem que deram um golpe?
Você já notou que quem move uma agressão jamais admite que “começou a guerra”? Ainda neste início do século 21 os Estados Unidos agrediram o Iraque sob pretexto de que os iraquianos preparavam armas de destruição em massa, quando queriam era garantir mais petróleo para si (e, logo se soube, o Iraque não preparava arma de destniição em massa alguma).
Vimos como nossos militares derrubaram em 1964 um governo legalmente constituído; como a agressão partiu de Washington, que usava a "mão do gato" para impedir o Brasil de virar uma potência; como nossos militares abraçaram, para tanto, a tese do "inimigo interno" (p. 86/87, fascículo 3).
Assim, golpistas ouvidos trinta anos depois, pêlos historiadores Maria Celina D'Araújo, GláucioAry Dillon Soares e Celso Castro, trataram de escamotear o fato de que tomaram a iniciativa da agressão. O general Gustavo Moraes Rego Reis, assessor do governo Geisel, diz que promoveram uma "contra-revolução preventiva". Seu colega Carlos Alberto da Fontoura, ex-chefe do Serviço Nacional de Informações, ecoa:"Nós não fizemos o golpe. Fomos obrigados a dar o contragolpe pelo povo brasileiro."
O general António Bandeira, que combateu a Guerrilha do Araguaia em 1972, fala em "contra-revolução" e vai além no subterfúgio: "A ideologia política foi puramente a de preservar o regime democrático." E para "preservar" a democracia golpearam-na, sob a justificativa de que era "o inimigo" quem ia golpeá-la. O escritor inglês Terence Hanbury White (1906-1964), em O Único e Eterno Rei, volume II, deslinda bem o paradoxo. Recria um diálogo entre o jovem rei Artur e seu conselheiro, o mago Merlin, figuras semilendárias da Inglaterra do século 6. Merlin diz ao pupilo que as guerras, de tão terríveis, "não deveriam ser permitidas". Artur observa:
"Mas ambos os lados sempre dizem que foi o outro que começou." Responde Merlin que isso é bom:
"Pelo menos, mostra que os dois lados têm consciência, dentro de si mesmos, de que a perversidade da guerra está em começá-la." Por isso os golpistas não admitem que deram o golpe.


Resumo:

  • Castelo Branco, ditador civilizado
  • O Congresso “elege” novo presidente
  • Desgosto e um manda-chuva
  • Ditadura, na língua da ditadura, é apenas “estado de exceção”
  • Congresso fraco, Judiciário submisso
  • A censora que não arrotava
  • Queriam repreender Sófocles
  • Um governo em três atos:
  • Primeiro ato: Queriam cassar até um Ermírio de Moraes
  • Segundo ato: Bipartidarismo: ou Arena ou MDB
  • Terceiro ato: Fica, assim, bem claro...
  • Todos passam a ser responsáveis pela segurança nacional
  • Ouro para o bem de alguns, do Brasil é que não foi
  • Mais de 100.000 doaram
  • O ovo acaba vítima do próprio medo
  • Expulsaram os maiores crânios do país
  • Nosso gênio serve à França porque “não sobrou opção”
  • Universidade de Brasília ia bem demais para ser verdade
  • Foi-se a criatividade
  • Feijoada subversiva
  • Todos são culpados até que se prove o contrário
  • Plantação de livros
  • Separaram o trigo do joio
  • Os golpistas se esforçam para legalizar a ilegalidade
  • Torturaram sargento por cinco meses e o afogaram no rio
  • Ofereceram a Djalma Maranhão, ou renuncia, ou vai preso
  • Com a ditadura, um festival de besteira assola o país
  • FEBEAPÁ
  • Em memória de Biu, Zé, Pedro, Sinhá Maria ...
  • Ganharam no máximo uma nota de pé de página
  • Julião morreu pobre, auto-exilado em Tepoztlán, México
  • A reforma agrária ficou no papel
  • O monstro que devorou a si mesmo
  • Vigiando o próprio governo
  • Castelo abre caminho para a o”operação limpeza”
  • Caíram em cima dos estudantes e dos trabalhadores
  • A tortura estava nos planos
  • O Inquérito Policial Militar vira arma política
  • A esquerda contra-ataca e mata dois
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